Diretor de ‘Deus Salve o Rei’ faz balanço da novela e diz: ‘valeu muito, a gente aprendeu também bastante’


Produção se aproximou do universo das séries e trouxe nova linguagem e tecnologias; pra quem já está com saudade da novela, uma novidade: os storyboards devem virar livro. Bruna Marquezine e Marina Ruy Barbosa: o embate entre Catarina e Amália em ‘Deus Salve o Rei’
Paulo Belote/Globo
Um dia após a exibição do último capítulo da novela Deus Salve o Rei, o diretor Fabrício Mamberti esteve em Belo Horizonte, nesta terça-feira (31), e fez ao G1 um balanço da produção da Globo, que trouxe novas tecnologias, temática e linguagem para o horário das 19h.
Para o diretor, o ponto alto da novela, que se aproximou do universo das séries e teve que superar um incêndio logo no início da das gravações, foi “o conjunto da obra”. Sobre a forma de interpretação, um dos diferenciais da produção e que, por vezes, rendeu críticas dos haters na internet, Mamberti diz que valeu a aposta.
Diretor Fabrício Mamberti faz balanço da novela ‘Deu Salve o Rei’ em Belo Horizonte
Eliana Prudente/TV Globo
“Valeu muito, a gente aprendeu também bastante. A gente estava querendo entrar forte ali… A tendência natural, você foca forte no melodrama. A gente tinha que segurar e falar: “não… é por aqui”. Em alguns momentos, a gente deixava porque a cena pedia. E a gente tinha que atender esse público. Então, foi muito bacana. Acho que foi um aprendizado que a gente teve que negociar com escolas distintas, que, no balanço geral, foi muito bacana”, afirma.
Se, por um lado, a internet abre espaço para os haters, por outro, foi forte aliada da produção, segundo o diretor, já que, entre as protagonistas, estavam Bruna Marquezine, Marina Ruy Barbosa, Tatá Werneck e um reino de seguidores.
“Então, como tinham Bruna – isso não foi proposital, aconteceu por acaso – com 25 milhões [de seguidores], Marina com 26 milhões, Tatá com 22 milhões, a gente falou: “opa, tem não só a novela, mas três protagonistas muito poderosas. Então vamos formar um grupo que a gente chama de ‘Exército Salve o Rei’”. Viveram momentos de paixão e momentos de ódio”, contou.
Além das três atrizes já estouradas, outra chamou a atenção do público e também de Mamberti: Marina Moschen. “Ela fez uma coisa tão bonita, tão potente. Marina, ela é uma protagonista. Ela já está pronta. O público ama ela”, destacou.
Marina Moschen como Selena em ‘Deus Salve o Rei’
Tata Barreto/Globo
G1 – A novela já começou com o desafio de estar prevista para 2020 e ser antecipada. Depois, teve o incêndio do galpão de apoio. Como foi superar isso?
Mamberti – Nas primeiras horas, quando começou a pegar fogo, eu estava gravando justamente a apresentação da novela, minha primeira preocupação era saber se tinha alguém machucado, se tinha alguma vítima. Quando saiu todo mundo, eu olhei para aquilo e tive o primeiro baque. Mas teve uma coisa muito bonita do elenco. O elenco, no dia seguinte, reuniu todo mundo, a gente se uniu e a Globo falou assim: “a gente vai construir isso tudo de novo em duas semanas”. A gente tinha levado dois meses para fazer aquilo. Isso foi algo assim para gente que deu uma virada e, a partir daquele momento, ou seja, das 8 da noite às 4, que foi esse encontro, a gente dançou, a gente expurgou, e aí parecia que a gente estava começando do zero. O incêndio durou menos de 12 horas.
G1 – Para você, qual foi o ponto alto da novela?
Mamberti – Eu acho que o desafio de trazer o período medieval e trazer ele com verdade, com tantos cenários, com tantos reinos, e com verdade. O desafio de tentar achar um tom diferente. E acho que o principal desafio de unir um grupo, de trazer um sonho meu para esse grupo. Isso ser um sonho coletivo, que é muito na emoção, na vontade de fazer no amor E isso acontecer e ele virar esse projeto maravilhoso, que tantas pessoas tocou e emocionou o Brasil de uma maneira tão forte. Então, eu acho que é o conjunto da obra.
G1 – A novela teve o diferencial da tecnologia, os efeitos visuais eram o primeiro elemento em orçamento, e também a diferença na forma de interpretação, uma forma que estamos menos acostumados. Isso é um marco na forma de fazer novela?
Mamberti – Eu não colocaria como marco porque isso já tem muito em dramaturgia acontecendo. Talvez seja um caminho diferente do dia a dia Globo. As séries já fazem isso na Globo. Então, não é uma novidade dentro da TV Globo. Talvez seja uma novidade em novela. Se você pegar Justiça do Zé [José Luiz Villamarim], ele vem trabalhando num tom sempre muito realista, também palpável. É o que eu chamo de uma interpretação contemporânea, que tem muito a ver com a séries. E isso a gente acabou trazendo um pouco na novela. É mais arriscado, mas, por outro lado, eu acho que a gente tem que dar o primeiro passo. Então, eu não chamo de marco, eu chamo de primeiro passo. Uma primeira tentativa, que tem muitos ajustes a serem feitos, mas tem muitas vitórias nesse processo. Então, o próximo trabalho é um balanço do que funcionou e do que não funcionou. Do que funcionou, a gente persistir. E do que não funcionou, a gente ajeitar e melhorar.
G1 -Sobre a forma de interpretação, apesar dos haters, valeu?
Mamberti – Valeu, valeu muito, a gente aprendeu também bastante. Difícil porque até nós, como diretores, a gente estava querendo entrar forte ali… A tendência natural, você foca aí forte no melodrama. A gente tinha que segurar e falar: “não… é por aqui”. Em alguns momentos, a gente deixava porque a cena pedia. E a gente tinha que atender esse público. Então, foi muito bacana. Acho que foi um aprendizado que a gente teve que negociar com escolas distintas, que, no balanço geral, foi muito bacana.
G1 – A novela trouxe o público das sérias para o horário das 19h?
Mamberti – Trouxe um público muito forte, muito significativo. Isso apareceu em todas as pesquisas. Isso apareceu no Globoplay, apareceu nas redes sociais, apareceu na nossa pesquisa. E, realmente, era um público que estava encantado, seja pela fotografia, seja pelos cenários, seja pelo tema. Acho que tinham vários elementos ali, que foram trazendo diferentes. E, uma vez fisgados, não largavam nunca mais. A gente tinha um público muito fiel.
G1 – Qual foi o papel dos fãs e da internet na novela?
Mamberti – Por se tratar de um tema medieval, a gente já entendia que partia já com um grande número de fãs, independentemente do que fosse a novela. Então, como tinham Bruna – isso não foi proposital, aconteceu por acaso – com 25 milhões[de seguidores], Marina com 26 milhões, Tatá com 22 milhões, a gente falou: “opa, tem não só a novela, como tem três protagonistas muito poderosas. Então vamos formar um grupo que a gente chama de ‘Exército Salve o Rei’”. E a gente formou um grupo de mais ou menos 20 pessoas, que fora seguindo a novela e foram muito importantes. Viveram momentos de paixão e momentos de ódio.
G1 – Fora da novela, pelo Instagram, dava para perceber uma amizade muito forte entre as atrizes da novela. Esse era o clima?
Mamberti – Totalmente, era um clima de muita amizade. Não teve tempo para discussão, não teve tempo para briga. Quando eu falo isso, não teve uma briga, não teve uma discussão num período de quase um ano e meio. Todo mundo com desafio, cansado, obviamente, as discussões sempre eram em relação aos caminhos artísticos que a gente ia tomar.
G1- Além das três protagonistas – Bruna Marquezine, Marina Ruy Barbosa e Tatá Werneck -, outra jovem atriz, a Marina Moschen, destacou-se. Quando trouxe ela de Rock Story, já esperava?
Mamberti – Eu tomei um susto porque o Sílvio [de Abreu] me deu ela de presente. Ela estava escalada para uma outra novela. Ele falou: “eu gosto dessa menina. Acho que esse produto é um produto especial. Estou dando ela para o seu elenco”. Ela fazia uma comédia rasgada, completamente farsesca. Eu falei: “não, gente, não é isso. Esse personagem é delicada”. Mas, cara, ela fez uma coisa tão bonita, tão potente. Marina, ela é uma protagonista. Ela já está pronta. O público ama ela. Tem muito balanço que coloca ela, inclusive, como a grande revelação da novela. Então, ela vem com tudo. Marina já está escala para a próxima das 19h e acho que ela vem aí para fazer história.
G1 – Os story boards da novela vão virar livro?
Mamberti – Sim. A gente está juntando que um o material tão rico. Agora está organizando, procurando um parceiro gráfico. A gente está fazendo um primeiro boneco desse livro para dividir com as pessoas porque, realmente, é uma coisa muito rica para gente. 
Posted in G1