Hospital Municipal de Guarulhos ameaça fechar e acaba limitando atendimento por falta de remédios e salários atrasados

Paciente espera há 7 dias por cirurgia e funcionários estão há 90 dias sem receber. Salários devem ser pagos até sexta, segundo instituto. Hospital de Guarulhos ameaça fechar
O Hospital Municipal de Urgências de Guarulhos (HMU) ameaçou fechar as portas nesta terça-feira (31). No final do dia, anunciaram que apenas limitariam o atendimento apenas para casos de emergência nesta terça-feira (31). Desde abril deste ano, o hospital sofre com a falta de insumos e medicamentos.
Um impasse entre a prefeitura e a organização social que administra o local deixa a população com atendimento precário. “Tem um senhor que ele está há sete dias esperando para fazer cirurgia, ele estava de jejum desde ontem [segunda], e o médico hoje de manhã disse que ele não iria fazer cirurgia, e não tinha previsão de quando ia fazer porque não tem material, não tem pessoas para fazer a cirurgia”, conta Gabriela Gonçalves, que estava acompanhando o noivo no hospital.
Além de cancelamentos por falta de materiais, os médicos também só recebem pacientes emergenciais que chegam de ambulância. A dona de casa Cleonice da Silva trouxe a sobrinha reclamando de dores renais e não conseguiu atendimento.
“Minha sobrinha está com cólica renal. Aí falaram que só tinha um médico, só caso de urgência. Eu falei que era uma urgência, e ele falou: aqui não é, só se chegar de ambulância”, conta.
A crise no HMU não é novidade, desde abril deste ano, o atendimento estava restrito. Médicos e enfermeiros estão sem receber salários.
“[Uma parte dos funcionários] o pessoal da prefeitura está recebendo, a outra metade [dos funcionários] que é da empresa Gerir, que é CNPJ, faz 90 dias que eles não recebem”, conta a funcionária Bruna.
A empresa Gerir é o nome do Instituto terceirizado que administra o hospital. Segundo a empresa, o valor que recebe da Prefeitura de Guarulhos não é suficiente porque os custos da unidade aumentaram. A prefeitura discorda.
“Isso tem sido objeto de discussões várias e não se chegou a um consenso até o momento. Então se prorrogou numa situação especial para que se tente apurar nesses 30 dias o real custo e que o repasse seja feito adequadamente se isso for o caso”, diz o secretário de Saúde.
A prefeitura paga atualmente R$ 4,7 milhões por mês, para o Instituto Gerir, que quer receber R$ 7 milhões. Segundo o Gerir, até sexta-feira (3) os salários atrasados dos médicos serão pagos.
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