Jurista Hélio Bicudo morre aos 96 anos em São Paulo

Bicudo foi jurista, político e defensor dos direitos humanos. Foi filiado ao PT e um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

 

Morreu nesta terça-feira (31) em são Paulo, aos 96 anos, o jurista Hélio Bicudo. Ele foi filiado ao Partido dos Trabalhadores e um dos autores do pedido de impeachment da então presidente Dilma Rousseffx.

Em um prédio, em São Paulo, Hélio Bicudox passou os últimos momentos de uma longa vida em defesa dos direitos humanos.
A saúde tinha piorado muito depois da morte da mulher, em março. Eles foram casados por 70 anos.
Bicudo tinha uma aparência frágil, a fala mansa, mas firme, principalmente quando via direitos humanos ameaçados, mesmo quando isso significava risco de vida.
Nascido em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo, Hélio Bicudo tornou-se jurista e político.
Durante o regime militar, nos anos 70, era procurador de Justiça de São Paulo e recebeu a perigosa missão de investigar e combater o “esquadrão da morte”, grupo de extermínio formado por policiais.
“Quando você tem policiais envolvidos em crimes dessa natureza, normalmente as apurações demoram anos, anos, anos e acabam desaguando na impunidade”, disse Bicudo.
Bicudo se filiou ao Partido dos Trabalhadores logo no começo do PTx e foi eleito deputado federal. Foi secretário na gestão da prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, e vice na gestão de Marta Suplicy, quando as duas eram do PT.
Em 2005, Bicudo deixou o partido em meio à crise do mensalão. Em 2015, foi um dos juristas que assinaram o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, defendendo que houve crime de responsabilidade por causa das pedaladas fiscais.
Hélio Bicudo está sendo velado em uma casa funerária, em São Paulo. Ele deixa sete filhos que estavam com ele nos momentos mais difíceis da batalha pelos direitos humanos, quando a família sofreu ameaças e tentativas de intimidação. Hélio Bicudo deixou várias lições, uma das principais: jamais perder a coragem.
“Ele aguentou firme. Realmente é um símbolo, é uma pessoa que deixa uma marca na vida brasileira’, afirma o jurista Miguel Reale Júnior.
“Ele deixa o exemplo de um homem público que olhou para este país em busca de melhorias das injustiças sociais que este país tem, do fortalecimento dos direitos humanos e, principalmente, a figura, neste contexto, de um lutador”, diz José Bicudo, filho de Hélio.
 
Quem lutou com ele pelos direitos humanos, resume assim a importância de Hélio Bicudo.
“O Hélio sempre se destacou porque era um homem de muita coragem, de muita bravura e de muito idealismo a respeito da virtude que a democracia tem em relação aos outros regimes”, conta o também jurista José Gregori, ex-secretário nacional de Direitos Humanos.

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