Justiça condena 16 por integrarem quadrilha que adulterava leite com água oxigenada e soda cáustica em SC


Juntas, penas somam mais de 125 anos de prisão. Réus foram investigados durante a Operação Leite Adulterado II, deflagrada em 2014. Operação Leite Adulterado II foi feita em agosto de 2014
Eduardo Cristófoli/RBS TV
A Justiça de Mondaí, no Oeste catarinense, condenou 16 pessoas da empresa Laticínios Mondaí por fazerem parte de uma organização criminosa que adulterava leite adicionando soda cáustica e água oxigenada. Eles foram investigados durante a Operação Leite Adulterado II, deflagrada em 2014. Juntas, as penas dos réus somam mais de 125 anos de prisão. Cabe recurso da decisão.
A sentença é de sexta-feira (27) e foi divulgada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) nesta terça (31). O advogado da empresa e dos sócios-proprietários não foi localizado.
Denúncia
De acordo com a acusação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), cada réu tinha uma função específica na organização. As pessoas hierarquicamente mais importantes coordenavam e passavam as ordens para gerentes e intermediários. Os que trabalhavam nos laboratórios executavam as ações. Os nomes dos réus foram divulgados no site do Ministério Público.
O MPSC afirmou que, durante seis anos, o leite que chegava ao consumidor era adulterado com adição de soda cáustica e água oxigenada. O objetivo era mascarar a má qualidade e dar maior durabilidade ao produto.
O comando da organização criminosa era feitos pelos dois sócio-proprietários, Irineu Otto Bornhold e Vilson Claudenir Jesuíno Freire. As instruções eram passadas para o gerente-geral, que as repassava para outras chefias intermediárias ou diretamente para quem iria cumprir as tarefas.
O gerente de produção e o funcionário do controle de produção determinavam as medidas para adulterar o leite e enganar a fiscalização. O chefe de plataforma recebia essas instruções e as passava para os funcionários dos laboratórios, que adicionavam os produtos químicos ao leite.
O motorista coordenava a logística das cargas adulteradas, para que não fossem apreendidas pela fiscalização, e, junto com dois funcionários do escritório da empresa, levava os produtos químicos irregulares escondidos na fazenda do sócio-proprietário Irineu até a companhia.
Penas
As maiores penas foram recebidas pelos sócio-proprietários. Cada um foi condenado a 16 anos, um mês e 20 dias de prisão em regime inicialmente fechado por organização criminosa, adulteração de produto alimentício, crime contra as relações de consumo e falsidade ideológica.
Confira abaixo as penas para cada condenado, conforme o MPSC:
Penas de cada condenado por adulteração de leite em Mondaí
MPSC/Divulgação
Operação Leite Adulterado II
Em agosto de 2014, lotes de leite foram recolhidos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul por suspeita de adulteração. Foram presas 20 pessoas em duas operações nesses dois estados e cumpridos 11 mandados de busca e apreensão. As ações foram coordenadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
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