Ministério da Saúde anuncia envio ao AM de mais de 770 mil doses de vacina contra sarampo e poliomielite


Coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues, informou que doses chegam nos próximos dias. Manaus tem situação de emergência para sarampo. AM recebe reforço em doses contrasarampo, caxumba, rubéola e poliomelite
Secom-JP/Divulgação
Mais de 770 mil doses de vacina contra sarampo, caxumba, rubéola e também para poliomielite serão encaminhadas ao Amazonas nos próximos dias, segundo o Ministério da Saúde. A ação segue o calendário nacional de vacinação, que será realizada de 6 a 31 de agosto. A meta é alcançar 95% da cobertura vacinal.
No Amazonas a campanha foi adiantada e já ocorre desde o mês de março – quando o estado ultrapassou, pela primeira vez – a quantidade de registros em Roraima. Segundo o Ministério da Saúde, foram 263 casos de sarampo até 20 de junho, contra 200 confirmados em RR no mesmo período.
Logo em seguida, a Prefeitura de Manaus anunciou “Situação de Emergência”, após confirmação 271 casos da doença, segundo balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).
Serão 770.820 doses de poliomielite e tríplice viral encaminhadas ao Amazonas, para atender um público-alvo de 304.907, segundo o Ministério da Saúde. Do total de doses, são 23.720 tipo VIP (vacina injetada), 381.200 tipo VOP (vacina via oral, a “gotinha”, contra poliomielite) e 365.900 da Tríplice Viral.
Não foram informados dados de quantas doses já foram encaminhadas pelo MS ao Estado desde março.
Dados atualizados repassados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) apontam que o Amazonas possui 562 casos de sarampo confirmados e 3.702 estão sob investigação em Manaus.
Coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues (de branco) falou sobre epidemia de sarampo no Amazonas e inicio da campanha nacional de vacinação
Divulgação
“Temos a certificação da Organização Panamericana junto com a Mundial de Saúde, que decretou o Brasil livre da circulação do sarampo desde 2016. Agora com este surto que está acontecendo, principalmente nos estados de Roraima, Amazonas e em especial em Manaus, que é onde tem maior incidência de casos, estamos em torno de 4 meses com surto da doença. Temos trabalho enorme para interromper esta cadeia de transmissão”, disse a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues.
A meta é que a vacinação alcance uma cobertura de 95% da população contra poliomielite e sarampo. A prioridade, segundo Carla Domingues, é vacinar crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos.
“As crianças são o principal veículo de transmissão da doença. Se vacinarmos todas as crianças, criamos um cinturão e, dessa forma, a gente impede inclusive que outras faixas etárias sejam protegidas”, afirmou.
Em setembro, a campanha será voltada aos adultos, para quem ainda não foi vacinado.
Em todo o país serão distribuídas 28.347.420 doses, com investimentos de R$ 160, 7 milhões. Já são 822 casos de sarampo confirmados em todo o território nacional.
Diferença de cobertura entre bairros de Manaus
Em Manaus já são 562 casos de sarampo confirmados. Segundo a monitoramento apresentado pela Semsa, eles estão distribuídos com 189 na Zona Norte, 181 na Zona Leste, 92 na Zona Sul, 91 na Zona Oeste e 9 na Zona Rural.
Em 28 de junho, o sarampo fez a primeira vítima fatal no Amazonas. Foi um bebe de 7 meses, Heitor dos Santos Duarte , que morava com a mãe, pai e mais 5 irmãos no no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste.
Mãe mostra cartão de vacina do filho Heitor, vítima de sarampo em Manaus
Ive Rylo/G1
De acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, em Manaus há uma diferença de cobertura vacinal entre os bairros, o que prejudica a extinção da doença.
“Fizemos a campanha de antecipação no Amazonas para sarampo e a cobertura já está em torno de 85%. Há bairros que já alcançaram a cobertura de 95%, mas lembrando que precisamos ter uma cobertura homogênea. Não adianta um bairro estar com cobertura de 95% e outro de 75%, porque é lá que os casos de sarampo vão continuar acontecendo”, apontou.
É grande também a quantidade de casos em investigação. Hoje há 3.762 casos sendo investigados na capital, sendo 1.445 na Zona Norte, 1.295 na Zona Leste, 490 na Zona Oeste, 481 na Zona Sul e 51 na Zona Rural.
Em função da epidemia de sarampo que ocorre no Amazonas, a recomendação do MS é que crianças a partir de 6 meses de vida já sejam vacinadas. “Em função do surto, inclusive com os casos de óbitos, a recomendação é começar a vacinar partir dos 6 meses”, disse a Carla Domingues.
Ela lembrou ainda que cabe ao município e estado traçar estratégias para que a vacinação chegue ao maior número de pessoas.
“A ação de vacinação é uma responsável do município. Cada município tem que identificar como é sua população e identificar a melhor estratégia de vacinação. Não é porque está em local de difícil acesso que tem que ficar alijada do processo de vacinação”, apontou.
A auxiliar de cozinha Kedna de Souza dos Santos foi vacinada contra o sarampo em ação de vacinação na Zona Leste de Manaus
Patrick Marques/G1 AM
Em Manaus, equipes de vacinação iniciaram ação ofensiva dia 16 de julho, indo de casa em casa. A meta é visitar mais 110 imóveis e verificar a situação vacinal de mais de 204 mil pessoas.
Carla Domingues lembrou que em há um posto de vacinação em Pacaraíma – município de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela – onde Venezuelanos de todas as idades estão sendo imunizados.
Queda na taxa de vacinação
Dados do MS de 2017, apontam que no Amazonas houve uma cobertura de 73% para poliomielite. Já para sarampo 80% na primeira dose e 61% da 2ª dose.
A mesma diferença ocorreu com a aplicação da Tríplice viral, em que a cobertura foi de 80% na primeira dose e 61% na segunda dose.
A coordenadora apontou que houve uma diminuição nas coberturas vacinais nos últimos dois anos, de acordo com o Ministério da Saúde em todo o país.
Vacinação contra sarampo na Zona Leste de Manaus
Patrick Marques/G1 AM
“A diminuição no Amazonas é preocupante, poque é onde temos maior número de casos confirmados, sendo a maioria em crianças menores de 5 anos e de 1 ano de idade”, disse Carla.
Para a coordenadora, a redução da procura pela vacina tem vários motivos.
“A medida em que as doenças deixaram de acontecer, os pais dessas crianças começaram a acreditar que não precisam de vacina. Diferentemente dos avós destas crianças de hoje, que levaram seus filhos para serem vacinados porque conviveram com as doenças, viam as pessoas morrerem de sarampo, adoecer de ‘polio’ e tinham uma preocupação muito grande”, disse.
Ela apontou também para a inserção da mulher no mercado de trabalho e a dificuldade de levar as crianças aos postos de vacinação em horário comercial, como outro fator determinante para a queda.
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