Moradores de comunidades denunciam abusos policiais durante ‘operações vingança’ em vários estados

Aplicativo que recebe relatos registrou, em dois anos, 360 denúncias contra maus policiais. Desses, 111 foram encaminhados a autoridades para averiguação. Vingança de policiais é um crime que se repete, diz Anistia Internacional
Moradores de favelas de todo o Brasil, especialmente do Rio de Janeiro, vivem com medo da violência imposta por aqueles que deveriam oferecer proteção. O Jornal Nacional desta terça-feira (31) exibiu depoimentos de pessoas que vivem em comunidades e denunciaram à Anistia Internacional abusos cometidos por policiais desonestos.
São casos em que, por exemplo, moradores são impedidos de entrar nas próprias casas, têm as residências arrombadas, usam o banheiro, comem o que está na geladeira e ainda “zombam” das pessoas. “Eles ficam à vontade, como se a casa fosse deles”, relatou um morador que não foi identificado.
De acordo com os moradores ouvidos pela Anistia, os casos de abuso são mais frequentes durante ações para procurar bandidos que feriram ou mataram policiais nas redondezas de determinada favela. São as chamadas “operações vingança”.
Além da invasão de casas sem a autorização da Justiça, há relatos de xingamentos e até agressões física no meio da rua. É o que conta uma moradora da Rocinha, favela em São Conrado, na Zona Sul do Rio, que diz que o filho foi agredido por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar.
Um serviço de denúncias realizadas por celular, o Defezap, em dois anos recebeu 360 relatos de moradores. Desses, 111 foram encaminhados a autoridades para que sejam averiguados. Por enquanto, nenhum agressos foi responsabilizado.
“Nós orientamos esse cidadão sobre quem procurar, para levar à frente essa denúncia, e encaminhamos essas provas para os órgãos de controle”, explicou Guilherme Pimentel, coordenador do Defezap.
“Uma grande dificuldade que a Defensoria [Pública] vai enfrentar é a formalização dessas denúncias. Um morador vive sob dupla intimidação. Ele sente tanto medo de criminosos que vivem ali, quanto ele sente pavor dos agentes estatais”, acrescentou a defensora pública do RJ, Lívia Casseres.
A Anistia Internacional informou que essa “vingança” de policiais é um crime que se repete e não ocorre apenas em favelas do Rio. Em capitais de outros estados também há, de acordo com a entidade, registros de abusos cometidos por policiais.
A PM do RJ declarou, em nota, que as operações seguem protocolos rigorosos no respeito aos Direitos Humanos, e que as denúncias dos moradores são apuradas pela Corregedoria interna da corporação.
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