No Ceará, cinco são presos suspeitos de participar de ataques

Onda de violência na região metropolitana de Fortaleza já deixou 16 ônibus queimados. Delegacias e bancos foram atacados a tiros.

 

A polícia do Ceará prendeu mais cinco suspeitos de participação na onda de violência que aterroriza o estado pela segunda vez em quatro meses. Nos últimos cinco dias, foram mais de 30 ataques a ônibus e prédios públicos.
 
O alvo de todos os disparos foi uma delegacia de polícia em Fortalezax. Lá dentro, dois inspetores tiveram que se proteger dos tiros. Quase ao mesmo tempo, na madrugada desta terça-feira (31), pelo menos seis carros que estavam apreendidos foram incendiados em frente a outra delegacia na região metropolitana. 
“Tentar ter acesso às imagens das câmeras de segurança da delegacia para ver se a gente consegue identificar o possível autor do incêndio”, disse o delegado Felipe Moreira.
Bombas e tiros atingiram outras delegacias nos últimos cinco dias. Já são 16 ataques a agências bancárias, prédios dos Correios e secretarias de governo; 150 motos que estavam no pátio do Detran também foram queimadas.

“A gente tem medo porque já não está seguro para a polícia, imagina para a gente que está na vizinhança”.
Desde sexta-feira (27), os criminosos queimaram 16 ônibus. Na manhã desta terça, a polícia reforçou a segurança nos terminais e escoltou alguns coletivos.
“Todo mundo apreensivo, com medo de pegar ônibus, mas tem que se submeter”, diz o passageiro.
“Quanto eu pego ônibus, já é pedindo proteção a Deus porque às autoridades ninguém pode pedir”, conta outra passageira.

É a segunda onda de ataques em quatro meses; em março, dez ônibus e três prédios públicos foram alvo dos criminosos durante dois dias. Eles ainda queimaram 50 veículos apreendidos. Na época, seis pessoas foram presas.
Tudo isso num ano marcado pela violência no Cearáx: já foram sete chacinas com 48 mortes, entre elas, 14 assassinatos numa casa de forró em janeiro e sete numa praça de Fortaleza dois meses depois.
Quase 2.400 pessoas foram assassinadas no primeiro semestre, 80 a mais que no mesmo período de 2017, quando o estado registrou o maior número de homicídios da história.
Oito suspeitos foram presos desde o início dos ataques. Assim como as chacinas, os últimos acontecimentos dos últimos dias também são atribuídos a integrantes de facção criminosa. Os atentados, desta vez, seriam uma vingança pela morte de três homens durante uma ação policial, na semana passada, no interior do estado.
O secretário da Segurança descartou a necessidade de pedir reforço das Forças Armadas para conter os ataques.
“O estado não está refém. Não é colocar mais algumas centenas que vai resolver o nosso problema, o nosso desafio vai ser resolvido com essa continuidade de trabalho, a continuidade do avanço das ações e a gente não vai recuar em reação nenhuma”, afirmou o secretário de Segurança, André Costa.
Mas a população, assustada, quer mais segurança.

“Nos bairros, segurança não tem. A gente sai de casa com medo”.

“Medo, a gente sai assustado”.

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